Resenha: Pitty no Rio de Janeiro (15/08/14) Circo Voador

É com lágrimas nos olhos que Pitty, abraçada a seus acólitos, se prepara para se despedir da plateia que lotou o Circo Voador na sexta (15 de agosto). O olhar fixo, aparentemente para o nada, banha os olhos da cantora e conota uma reflexão. Um metro abaixo, uma contagiante plateia continua a cantarolar o “ôôô” com os braços para cima como se o show estivesse apenas começando. E foi assim durante os cerca de 90 minutos e exatas 19 músicas. Antes, incrédula, a moça confessa que procura entender o que acontece quando toca no Circo, e a explicação - como se sabe – são os fantasmas o rock encardidos naquela lona encaracolada, como numa bênção from hell para os que vêm depois.

A música que arremata o show no pique, sem bis, é “Serpente”, que em tese só teria a escalação garantida por questões temáticas, já que é ela que fecha o novo álbum, “Setevidas” (resenha aqui), em um tom de adeus difícil de conseguir. Mas funciona ao vivo também, com um elam calmo e reconfortante que no fundo mostra uma interseção com o projeto Agridoce, amenizando de certo modo o início matador. Quem resiste a, de cara, “Setevidas”, sua irmã mais velha “Anacrônico”, e “Admirável Chip Novo”, em sequência? A coisa vai ficar melhor ainda quando a turnê seguir e a banda se entrosar mais a ponto de conseguir tocar as três coladas uma na outra. Pitty não economiza e inclui nada menos que nove músicas novas – pense que artista com mais de 10 anos de estrada faz isso -, boa parte com o público já ensaiadinho na cantoria.

As novidades, contudo, não ficam só no disco novo, várias músicas aparecem com arranjos modificados em relação à versão de disco, e isso é muito bom. “Teto de Vidro” é uma delas, que perde um tiquinho de peso, mas é encorpada com uma ótima inserção de teclados e com Pitty tocando guitarra. “Memórias” ganha em distorção, faz o público abrir aquelas rodas de show de hardcore e leva o guitarrista Martin a manipular os pedais de efeitos no chão, com as mãos. O público – por sinal - parece também mais maduro, menos delirante e mais participativo do modo certo, digamos assim. O tempo que passa para quem está em cima do palco é o mesmo que, impiedoso, retira as folhas do calendário do povão também. “Semana Que Vem” é outra rearrumada, com a inclusão de efeitos na voz de Pitty. E dá-lhe pula-pula.

Embora seja essa uma nova turnê, as soluções visuais no palco convencem menos que o show propriamente dito. Por vezes, o telão subutilizado ao fundo, com imagens quase sempre irrelevantes, traça a silhueta dos músicos e realça a disposição dos instrumentos no palco, com a bateria numa lateral e o teclado na outra. Mas é só. Instrumentos de apoio, usados sobretudo pelo tecladista Paulo Kishimoto, talvez para tentar reproduzir ao vivo o que foi gravado no disco, também não influem nem contribuem. Esguia e com uns quilinhos a menos, Pitty desfruta da “fase endorfina” (leia a entrevista) com uma leveza flutuante e se sobressai em toda a noite, numa espécie de movimento de dar e receber com o público que marca sua trajetória desde os tempos do palquinho baixo do Ballruim.

Entre as músicas novas, além da pedrada grudenta “Setevidas”, cabe destaque para o final de “Pouco”, quando o vocal mais rasgado à Cobain faz toda a diferença; “Boca Aberta”, que além de ser uma bela composição, funciona muito bem ao vivo, com bom diálogo entre Martin e o baixista Guilherme Almeida; e a amalucada “Um Leão”. Sabiamente só uma música do indeciso “Chiaroscuro” entra no set, a clichetaça máster “Me Adora” que se recusa a sair da cabeça da gente. E o imperativo de “Deixa Ela Entrar”, outra das novas, salienta a fúria com que Pitty retoma o norte deixado de lado tempos atrás e traz sua vida de volta. É essa pegada que sacode a lona do Circo Voador e faz descer os tais fantasmas do rock para explicar o que parece inexplicável. Que assim seja, Pitty. Que assim seja.

Set list:

  1. Setevidas
  2. Anacrônico
  3. Admirável Chip Novo
  4. Semana Que Vem
  5. A Massa
  6. Deixa Ela Entrar
  7. Teto De Vidro
  8. Memórias
  9. Boca Aberta
  10. Olho Calmo
  11. Pouco
  12. Me Adora
  13. Pulsos
  14. Pequena Morte
  15. Equalize
  16. Na Sua Estante
  17. Um Leão
  18. Máscara
  19. Serpente

Rock em Geral



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 15h15

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Resenha: Pitty em São Paulo (09/08/14) Áudio Club

Com a casa lotada e um setlist de quase duas horas, a cantora Pitty levou a São Paulo no sábado, 9 de Agosto, o show de lançamento de seu último álbum Setevidas, disponibilizado oficialmente em Junho. A casa de shows Audio Club abriu por volta das 22h e até a entrada de todo o público e do ajuste de todos os detalhes o relógio já contava pra mais de uma da manhã, quando finalmente a apresentação deu partida. No telão, um discurso da cantora embasado no número sete: os sete dias da semana, os sete pecados capitais, o mundo feito em sete dias (…). Discurso tal que foi sendo explorado ao longo do show através de recursos visuais, das palavras da cantora e das próprias músicas.

Quem esperava por um público predominantemente adolescente viu que eles envelheceram junto com a cantora, e o que se via em maior número eram jovens de vinte e poucos anos. “Setevidas”, primeiro e pegajoso single do disco abriu o show com euforia e coro geral. Na sequência, uma poderosa trinca de hits levantou o clima lá nas alturas, sem o perdão do pleonasmo: “Anacrônico”, “Admirável Chip Novo” e “Semana que vem” foram a deixa para as (tímidas) rodas de pogo, garotos sem camisa e garotas de sutiã, mesmo com os seguranças tentando impedir.

“A Massa” surgiu retomando o novo disco e emendou na também nova (próximo hit?) “Deixa ela entrar”. Para os fãs de longa data, o show foi bastante excitante, já que a cantora tocou quase todos os singles da carreira. Acompanhada de Duda (bateria), Martin (guitarra) e do novo integrante Guilherme (baixo), a forma com que Pitty balanceou as novas canções às antigas funcionou, principalmente para quem ainda não está tão familiarizado com o novo disco.

“Teto de Vidro” (com Pitty na guitarra) e “Memórias” abriam espaço para um momento de canções recentes que, de certa forma, mantiveram (alguns decibéis abaixo) o clima do show. “Boca Aberta” é uma espécie de confissão, enquanto a densa “Olho Calmo” é daquelas de cantar junto tirando algum peso de si. “Pouco”, talvez uma das mais esperadas de Setevidas, mostrou uma vocalização cruel bem afeita à Pitty.

O coro se fez mais alto e poderoso com “Me Adora”, que engatou na dolorida “Pulsos”. O momento mais calmo e não menos intenso veio com a suprema “Equalize” e a triste e das mais queridinhas do público “Na sua estante”. O final do show contou com “Um Leão”, “Máscara”, que reanimou o público ao lado mais rock´n´roll da banda para finalizar com “Serpente”, última música do novo álbum, em um clima meio ritualístico, de coletividade. Pitty quando gritou “Agora que eu voltei, quero ver me aguentar”, parece que não estava de brincadeira. Um show maduro e seguro de si, com um pé na “podreira” e outro no popular.

Setlist:

  1. Setevidas
  2. Anacrônico
  3. Admirável Chip Novo
  4. Semana que Vem
  5. A Massa
  6. Deixa Ela Entrar
  7. Teto De Vidro
  8. Memórias
  9. Boca Aberta
  10. Olho Calmo
  11. Pouco
  12. Me Adora
  13. Pulsos
  14. Pequena Morte
  15. Equalize
  16. Na sua estante
  17. Um Leão
  18. Máscara
  19. Serpente
Tenho mais discos que amigos.

 

 



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 15h06

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Agora Aguenta

A atual formação da banda: Martin (guitarra), Guilherme (baixo), Pitty (vocal) e Duda (bateria)

A atual formação da banda: Martin (guitarra), Guilherme (baixo), Pitty (vocal) e Duda (bateria)

Foram cinco anos de ausência da chamada banda de rock da Pitty nos quais a cantora se aventurou em um improvável projeto mais calmo, em formato de duo, que acabou dando certo. Agora, sai o Agridoce e a Pitty tal qual ficou conhecida pelo hit “Máscara” está de volta com o álbum “Setevidas”. Se pudesse ser resumido em uma única palavra, segundo a própria Pitty ela seria resiliência, “a capacidade de superar, de recuperar de adversidades, evoluir e voltar ainda mais forte”, como diz um informal dicionário.

Também pudera. Nesse meio tempo, Pitty teve problemas de saúde que a levaram a uma internação às pressas (calma, pessoal, já passou!); enfrentou conflitos dentro de sua banda que resultaram em processos sobre os quais os advogados a orientam a não falar; e sofreu com a perda do guitarrista e amigo Peu Souza (saiba mais), que se suicidou no ano passado. A resposta vem já no título do novo álbum, em que a cantora escancara a capacidade de ter novas sobrevidas, numa espécie de “exorcismo” movido à música. Ou, por outra, a rock. Porque “Setevidas” (resenha aqui) não é só a retomada do rock na trajetória de Pitty e asseclas. É a volta à sua configuração mais pesada, mas ao mesmo tempo acessível, deixada de lado no álbum “Anacrônico”, de 2005.

Ou seja, quase 10 anos separam o modus operandi que levou Pitty ao posto de grande artista de rock no mercadão das últimas gerações dessa retomada. Assuntos como esses foram abordados nesta entrevista exclusiva, feita via e-mail, sem réplicas. Pitty fala como fez o novo disco, que acredita ser o mais pessoal; da nova formação da banda que lhe apoia; do material gráfico do disco, elaborado a partir de autorretratos; de parcerias como a que fez com Fernanda Takai, do Pato Fu; e do momento pelo qual passa o rock como um todo. Sim, a verdadeira Pitty está de volta e com a corda toda. Agora aguenta.

Para ler entrevista exclusiva desta matéria, com a Pitty, clique aqui.

Rock em Geral



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 14h55

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Pitty lança disco que reflete período difícil e 'experiência de quase morte'

Em 2013, Pitty passou por uma "experiência de quase-morte", ela conta ao G1. "Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, 'quem tem saúde tem tudo'?  Ano passado aprendi o verdadeiro significado dessa frase", diz. Em 2013, a cantora foi internada na UTI e teve uma "parada estomacal". Ela não dá mais detalhes sobre o problema de saúde. No novo disco, "Setevidas", ela desafia a morte na faixa-título:  "Viver parece mesmo / Coisa de insistente".

O período de composição das músicas, segundo Pitty, foi "difícil". Outra faixa nova, "Lado de lá", fala da morte do ex-guitarrista Peu. O músico se matou em maio de 2013. No mesmo período, a cantora enfrentava uma disputa com outro ex-integrante de sua banda. O baixista Joe tem um processo trabalhista aberto contra o grupo de Pitty. "É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro", ela diz. O G1 tentou contato com Joe, mas ele não quis comentar o assunto.

Em 2013, Pitty passou por uma "experiência de quase-morte", ela conta ao G1. "Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, 'quem tem saúde tem tudo'?  Ano passado aprendi o verdadeiro significado dessa frase", diz. Em 2013, a cantora foi internada na UTI e teve uma "parada estomacal". Ela não dá mais detalhes sobre o problema de saúde. No novo disco, "Setevidas", ela desafia a morte na faixa-título:  "Viver parece mesmo / Coisa de insistente".

O período de composição das músicas, segundo Pitty, foi "difícil". Outra faixa nova, "Lado de lá", fala da morte do ex-guitarrista Peu. O músico se matou em maio de 2013. No mesmo período, a cantora enfrentava uma disputa com outro ex-integrante de sua banda. O baixista Joe tem um processo trabalhista aberto contra o grupo de Pitty. "É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro", ela diz. O G1 tentou contato com Joe, mas ele não quis comentar o assunto.

O tom, no entanto, não é triste. Durante a gravação, ela diz que teve "vontade de engolir o mundo". O som é sujo e pesado, e remete aos temas que a cantora aborda desde o início da carreira. O poder feminino é um deles. "Traz alguém, que saiba de amor / Sem o porém de adestrador / Pois nunca há de haver feitor aqui", canta em "Um Leão. Pitty elogia o feminismo de Valesca Popozuda e compara: "Somos mulheres exercendo o direito de ser".

G1 – O disco não tem nenhuma balada romântica na linha de 'Equalize', 'Na sua estante', ou do Agridoce. O que te levou para esse lado mais sujo e pesado?

Pitty – A vida, eu acho (risos). Não penso nisso na hora de compor, vou fazendo as músicas e depois é que se vê o conjunto da obra. E nesse momento foi assim.

G1 – Há percussões mais fortes, e você já falou da referência do candomblé. Qual é sua relação com o candomblé? Por que apareceu neste disco?

Pitty – Sempre admirei a mitologia do candomblé, mas principalmente sua parte rítmica sempre me chamou a atenção. Os toques de cada orixá, os instrumentos; é tudo muito primitivo e ao mesmo tempo sofisticado no que diz respeito a tempos, acentos, levadas. Ainda não sei exatamente porque isso bateu pra mim agora, mas acho que tem a ver com uma mistura de banzo e de vontade de dar vazão a uma memória afetiva e primal. 

G1 – Em 2013, o rock teve o pior resultado nas rádios do país.  Por que acha que o estilo passa por essa má fase comercial? Ao gravar e fazer shows, você pensa em fortalecer o rock brasileiro?

Pitty – Acho que tudo é fase, e onda. Elas vêm e vão, mas o rock está sempre aí, ele é "highlander": quando você menos espera ele ressurge mais forte do que nunca. E eu estou bem otimista, vejo um bom momento vindo aí. Várias bandas gravando e lançando discos legais, as principais rádios de rock de volta, público interessado. Espero contribuir de alguma forma, e de toda forma também sempre estarei aqui fazendo a minha parte, em qualquer fase.

G1 – Um dos destaques da música brasileira de 2014 é Valesca Popozuda. Ela diz que 'ser vadia é ser livre'. Você concorda? Vê um paralelo entre o seu trabalho e o dela?

Pitty – Entendo totalmente o que ela quer dizer com essa frase. É um pensamento que tem a ver com ideais feministas. Uma "vadia", perante essa sociedade machista, é uma mulher que usa saia curta ou decote e por isso "tá pedindo", que ousa sair sozinha, que anda nas ruas a noite, que comete o disparate de emitir opiniões, que fala sobre e gosta de sexo. Ou seja, uma mulher livre. Se para esse sistema patriarcal, ter direitos sobre o próprio corpo e a própria vida é ser "vadia", então, somos todas vadias. O paralelo que vejo entre nossos trabalhos é esse: somos mulheres exercendo o direito de ser.

G1 – O que te levou a fazer a letra de 'SeteVidas', especialmente na parte sobre 'mar vermelho, se arrastando do quarto para o banheiro, pupila congelada'?

Pitty – Uma experiência de quase-morte. Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, "quem tem saúde tem tudo"? Pois é. Ano passado eu aprendi o verdadeiro significado dessa frase.

G1 – As letras sugerem uma época turbulenta de vida. O período de preparação e gravação do disco foi difícil?

Pitty – Não. O difícil foi antes, e acho que isso se refletiu na composição. Na hora de gravar estava numa fase muito boa, me sentindo animada, forte e com vontade de engolir o mundo.

G1 – O que você sentiu quando o Joe entrou com uma ação trabalhista contra a banda?

Pitty – Uma decepção muito grande. É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro. A gente sabe que isso acontece por aí, mas ver de perto é mais triste. Mas eu não quero deixar que isso me endureça, quero continuar confiando no ser humano. Esse também não é meu assunto agora, meu foco é no disco, é isso o que importa.

G1, Globo



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 11h37

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Neste sábado Serginho Groisman recebe a banda Pitty

No Altas Horas deste sábado, dia 14, Serginho Groisman receberá duas atrações musicais, a banda Skank e também a cantora Pitty. No palco do programa, a Pitty cantará alguns de seus sucessos e ainda bater um papo com Serginho e seus convidados. Não perca! O Altas Horas vai ao ar neste sábado, dia 14 de junho, logo após Zorra Total.



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 00h17

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Pitty: sobrevida para o rock

Cantora lança ‘Setevidas’, primeiro álbum de estúdio em cinco anos com a banda que leva seu nome.

“Monto um disco como se fosse um livro. As faixas, para mim, são capítulos”, diz Pitty, que se reuniu com a banda e fez os arranjos em duas semanas - Fernando Donasci.

SÃO PAULO - É meio de tarde no estúdio Madeira, do baterista Duda, que fica num pequeno prédio da região central de São Paulo. A cantora Priscilla Leone, mais conhecida como Pitty, fala com animação sobre o show que fez recentemente com sua banda — também chamada Pitty — na cidade de Americana. “Quase morri!”, comentava ela, sobre a sua falta de fôlego. Afinal, são dois anos desde que a baiana encerrou o show “A trupe delirante em turnê” e o seu quarteto, um dos mais bem-sucedidos nomes do rock brasileiro dos anos 2000, entrou em recesso.

Por um ano e meio, ela se dedicou a levar para os palcos o seu projeto mais acústico, de folk psicodélico, o Agridoce (feito com Martin, o guitarrista da banda). Mas bateu, como ela diz, “a demanda interna da saudade”, e Pitty agora volta a ser Pitty com “Setevidas” — primeiro álbum de estúdio desde “Chiaroscuro”, de 2009.

A alegria de ver homens barbados fazendo dança punk, naquele que foi o show da volta da banda, fez a cantora de 36 anos ter certeza de que estava no caminho certo. E ouvir do público que a acompanha desde 2003 (quando lançou seu primeiro disco com a banda atual, “Admirável chip novo”) a frase “cresci com isso e ainda gosto disso” a deixou segura quanto à própria trajetória.

— Com a idade, você vai ficando mais venenoso. É o veneno da paciência, de falar a coisa certa na hora certa. Não era o plano original me dedicar ao Agridoce, fui meio que empurrada do disco para o show. Pude desenvolver um outro lado que nem sabia que tinha — diz.

Encerrado “o ciclo” do Agridoce, Pitty começou a compor. Reuniu os músicos e, em duas semanas, tinha 15 canções arranjadas, sem letra. O que ela escreveu a partir daí fechou-se em um conceito, que ela diz não ter sido intencional.

— Eu monto um disco como se ele fosse um livro — explica. — As faixas, para mim, são capítulos. Vão acontecendo coisas doídas e sofridas ao longo dessa história, transformações. Pessoas sempre caindo e se levantando.

“Setevidas” é um disco que lida com o inevitável, o irremediável. Que expõe “mortes reais e metafóricas”. Duas delas, bem reais, inspiraram a canção “Lado de lá”: as do guitarrista Peu Souza (que tocou com a banda no primeiro disco e que morreu em maio do ano passado) e de Lou Reed (morto em outubro).

Pitty, que se diz avessa a transformar seu diário em canções, encontrou uma irresistível inspiração num texto sobre a morte de Reed escrito pela cantora e poeta Patti Smith para o jornal inglês “The Guardian”.

— Ele me trouxe a imagem do barqueiro, que te leva para o outro lado.

Pitty diz que “Setevidas” é também um disco “de revezes que se transformaram em coisas positivas”. Donde se pode identificar a saída, em 2013, do baixista Joe Gomes, que move processo contra a banda por questões trabalhistas.

— Tive muitos sentimentos ruins, foi traição, mas eu não quero transformar isso em uma coisa negativa, maior do que é. Deixa o cara lá. Ele sabe o que ele fez — minimiza a cantora.

Procurado pela reportagem, Joe preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Em “Setevidas”, Pitty garante que a banda volta “melhor do que nunca”, com Duda, Martin e o novo baixista, Guilherme. Nos shows, eles ainda contam com Paulo Kishimoto, que ataca de teclados, lap steel, vocais e percussões.

A turnê do disco, de fato, começa em agosto. No Rio de Janeiro, os shows serão nos dias 15 e 16, no Circo Voador. As perspectivas de Pitty para 2014 são as melhores.

— Desde o ano passado eu estava sentindo uma preparação para uma volta com força do rock. E este é um ano muito bom para isso. Tem muita gente no Brasil, como os Titãs, lançando discos importantes. Passou aquela coisa meio pasteurizada que rolou por volta de 2010, a infantilização geral do rock. Sinto que existe agora uma conspiração boa do universo.


POR SILVIO ESSINGER, O Globo

O repórter viajou a convite da gravadora Deck



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 18h13

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Entrevista com "Pé na porta" sobre SETEVIDAS

Clemente Nascimento conversou com a cantora Pitty sobre o novo disco da banda, SETEVIDAS, o novo clipe, descobrir detalhes e conhecer um pouco do que ela tem ouvido e feito. O programado foi gravado no Estúdio Madeira em São Paulo, mesmo espaço onde Pitty gravou seu novo álbum. "SETEVIDAS" foi gravado ao vivo, com todos os instrumentos tocados simultaneamente, produzido por Rafael Ramos e mixado pelo inglês Tim Palmer. 



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 22h58

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Pitty está de volta


"Místico, intimista e psicodélico, SETEVIDAS marca o retorno da cantora"

Hoje, depois de cinco anos sem lançar CD, Pitty está de volta oficialmente. SETEVIDAS, seu quarto disco de estúdio, marca não só o retorno da cantora – ela passou esse período tocando um projeto paralelo, o Agridoce -, mas uma nova fase na carreira. As canções estão com uma letra mais mística, intimista e uma pegada de rock psicodélico.

As mudanças – bem visíveis nas dez músicas do álbum – não são aleatórias. Nos últimos anos ela enfrentou problemas de saúde, decepções, perda – a morte do ex-guitarrista da banda, Peu Sousa – e superação que a fizeram aprender a ter paciência e “deixar o ego de lado e acreditar que tudo depende de uma força maior que está no universo”, como diz ela.

Por isso, tudo no álbum exala reflexão e misticismo, desde os instrumentos usados (os africanos agogô e caxixi) até o título, que também dá nome ao primeiro single, divulgado há três semanas. Aliás, que acompanhou o site da cantora dias antes do lançamento da canção SETEVIDAS pode sentir um pouco essa vibe.

Por lá ela deixou uma mensagem misteriosa sobre o número sete. “Nasci num dia 7 do ano de 77 sob o signo de Libra – que rege a sétima casa, segundo a astrologia. Os sete dias da semana norteiam e conduzem nossa rotina, os tais sete dias bíblicos da Criação. (…)E logo mais te conto um segredo não mais tão guardado a sete chaves”.

Além do primeiro single, Pitty divulgou nesse tempo outra canção, a “Boca Aberta”. Ela, e todas as outras do disco, foram gravadas ao vivo. “Fazer assim dá mais trabalho, pois precisa estar tudo muito ensaiado e entrosado, caso contrário não rola. Neste tipo de gravação vale o melhor take para todos os instrumentos, então tem isso de todos terem de acertar ao mesmo tempo. Mas eu adoro gravar assim”, contou ela em entrevista ao Gaz +.

Serviço: SETEVIDAS, Deckdisc, 2014. R$ 29,90. Hoje, dia 27, é o lançamento digital (disponível no itunes) e no dia 3 de junho, o disco está nas lojas físicas.

Créditos: Gazeta do Povo



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 23h06

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Conheça a canção "Lado de lá"

Dor e saudade transbordam da nova música de Pitty, “Lado de Lá”, lançada nesta sexta-feira, 23, a terceira a sair de forma avulsa como parte da divulgação do mais novo disco da roqueira, Sete Vidas. A alusão ao suicídio, abrupto e repentino, foi em parte inspirada na trágica morte do guitarrista Peu Sousa, antigo companheiro de banda, com quem escreveu alguns dos hits do álbum Admirável Chip Novo (2003), como “Equalize” e “Deja Vú”.

“Talvez pudesse resolver (quem vai saber?) / Será que a dor venceu? / Pra quê essa pressa de embarcar / Na jangada que leva pro lado de lá?”, canta Pitty na canção, a mais melancólica entre as três mostradas até então.

À Rolling Stone Brasil, a cantora explicou que a música “é muito por causa de Peu e um tantinho pelo Lou Reed”. Na ocasião da morte do músico norte-americano, em outubro do ano passado, um texto de Patti Smith, antiga companheira dele de andanças por Nova York, publicado no britânico The Guardian, trouxe a inspiração para a metáfora da morte como uma passagem.

“Trouxe-me a imagem do barqueiro da mitologia egípcia que nos leva para o ‘lado de lá’”, concluiu Pitty, citando o ser mitológico Aken, responsável por transportar as almas dos egípcios através do rio da morte. Para ouvir e baixar a música clique aqui.

Créditos: RollingStone



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 00h57

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Ouça a inédita: Boca Aberta

Na tarde desta sexta-feira (16) mais uma música inédita. Intitulada "Boca Aberta", a canção foi liberada depois de lançarem um desafio para os fãs no site oficial através do Facebook. 

Na semana passada, a banda divulgou o clipe de "SETE VIDAS", faixa que dá titulo ao novo álbum, que já está disponível para pré-venda

Confira a seguir "Boca Aberta":

Download aqui.



- Postado por: FC Espirito Pitty ās 00h57

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