Pitty lança disco que reflete período difícil e 'experiência de quase morte'

Em 2013, Pitty passou por uma "experiência de quase-morte", ela conta ao G1. "Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, 'quem tem saúde tem tudo'?  Ano passado aprendi o verdadeiro significado dessa frase", diz. Em 2013, a cantora foi internada na UTI e teve uma "parada estomacal". Ela não dá mais detalhes sobre o problema de saúde. No novo disco, "Setevidas", ela desafia a morte na faixa-título:  "Viver parece mesmo / Coisa de insistente".

O período de composição das músicas, segundo Pitty, foi "difícil". Outra faixa nova, "Lado de lá", fala da morte do ex-guitarrista Peu. O músico se matou em maio de 2013. No mesmo período, a cantora enfrentava uma disputa com outro ex-integrante de sua banda. O baixista Joe tem um processo trabalhista aberto contra o grupo de Pitty. "É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro", ela diz. O G1 tentou contato com Joe, mas ele não quis comentar o assunto.

Em 2013, Pitty passou por uma "experiência de quase-morte", ela conta ao G1. "Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, 'quem tem saúde tem tudo'?  Ano passado aprendi o verdadeiro significado dessa frase", diz. Em 2013, a cantora foi internada na UTI e teve uma "parada estomacal". Ela não dá mais detalhes sobre o problema de saúde. No novo disco, "Setevidas", ela desafia a morte na faixa-título:  "Viver parece mesmo / Coisa de insistente".

O período de composição das músicas, segundo Pitty, foi "difícil". Outra faixa nova, "Lado de lá", fala da morte do ex-guitarrista Peu. O músico se matou em maio de 2013. No mesmo período, a cantora enfrentava uma disputa com outro ex-integrante de sua banda. O baixista Joe tem um processo trabalhista aberto contra o grupo de Pitty. "É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro", ela diz. O G1 tentou contato com Joe, mas ele não quis comentar o assunto.

O tom, no entanto, não é triste. Durante a gravação, ela diz que teve "vontade de engolir o mundo". O som é sujo e pesado, e remete aos temas que a cantora aborda desde o início da carreira. O poder feminino é um deles. "Traz alguém, que saiba de amor / Sem o porém de adestrador / Pois nunca há de haver feitor aqui", canta em "Um Leão. Pitty elogia o feminismo de Valesca Popozuda e compara: "Somos mulheres exercendo o direito de ser".

G1 – O disco não tem nenhuma balada romântica na linha de 'Equalize', 'Na sua estante', ou do Agridoce. O que te levou para esse lado mais sujo e pesado?

Pitty – A vida, eu acho (risos). Não penso nisso na hora de compor, vou fazendo as músicas e depois é que se vê o conjunto da obra. E nesse momento foi assim.

G1 – Há percussões mais fortes, e você já falou da referência do candomblé. Qual é sua relação com o candomblé? Por que apareceu neste disco?

Pitty – Sempre admirei a mitologia do candomblé, mas principalmente sua parte rítmica sempre me chamou a atenção. Os toques de cada orixá, os instrumentos; é tudo muito primitivo e ao mesmo tempo sofisticado no que diz respeito a tempos, acentos, levadas. Ainda não sei exatamente porque isso bateu pra mim agora, mas acho que tem a ver com uma mistura de banzo e de vontade de dar vazão a uma memória afetiva e primal. 

G1 – Em 2013, o rock teve o pior resultado nas rádios do país.  Por que acha que o estilo passa por essa má fase comercial? Ao gravar e fazer shows, você pensa em fortalecer o rock brasileiro?

Pitty – Acho que tudo é fase, e onda. Elas vêm e vão, mas o rock está sempre aí, ele é "highlander": quando você menos espera ele ressurge mais forte do que nunca. E eu estou bem otimista, vejo um bom momento vindo aí. Várias bandas gravando e lançando discos legais, as principais rádios de rock de volta, público interessado. Espero contribuir de alguma forma, e de toda forma também sempre estarei aqui fazendo a minha parte, em qualquer fase.

G1 – Um dos destaques da música brasileira de 2014 é Valesca Popozuda. Ela diz que 'ser vadia é ser livre'. Você concorda? Vê um paralelo entre o seu trabalho e o dela?

Pitty – Entendo totalmente o que ela quer dizer com essa frase. É um pensamento que tem a ver com ideais feministas. Uma "vadia", perante essa sociedade machista, é uma mulher que usa saia curta ou decote e por isso "tá pedindo", que ousa sair sozinha, que anda nas ruas a noite, que comete o disparate de emitir opiniões, que fala sobre e gosta de sexo. Ou seja, uma mulher livre. Se para esse sistema patriarcal, ter direitos sobre o próprio corpo e a própria vida é ser "vadia", então, somos todas vadias. O paralelo que vejo entre nossos trabalhos é esse: somos mulheres exercendo o direito de ser.

G1 – O que te levou a fazer a letra de 'SeteVidas', especialmente na parte sobre 'mar vermelho, se arrastando do quarto para o banheiro, pupila congelada'?

Pitty – Uma experiência de quase-morte. Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, "quem tem saúde tem tudo"? Pois é. Ano passado eu aprendi o verdadeiro significado dessa frase.

G1 – As letras sugerem uma época turbulenta de vida. O período de preparação e gravação do disco foi difícil?

Pitty – Não. O difícil foi antes, e acho que isso se refletiu na composição. Na hora de gravar estava numa fase muito boa, me sentindo animada, forte e com vontade de engolir o mundo.

G1 – O que você sentiu quando o Joe entrou com uma ação trabalhista contra a banda?

Pitty – Uma decepção muito grande. É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro. A gente sabe que isso acontece por aí, mas ver de perto é mais triste. Mas eu não quero deixar que isso me endureça, quero continuar confiando no ser humano. Esse também não é meu assunto agora, meu foco é no disco, é isso o que importa.

G1, Globo



- Postado por: FC Espirito Pitty s 11h37

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Neste sábado Serginho Groisman recebe a banda Pitty

No Altas Horas deste sábado, dia 14, Serginho Groisman receberá duas atrações musicais, a banda Skank e também a cantora Pitty. No palco do programa, a Pitty cantará alguns de seus sucessos e ainda bater um papo com Serginho e seus convidados. Não perca! O Altas Horas vai ao ar neste sábado, dia 14 de junho, logo após Zorra Total.



- Postado por: FC Espirito Pitty s 00h17

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Pitty: sobrevida para o rock

Cantora lança ‘Setevidas’, primeiro álbum de estúdio em cinco anos com a banda que leva seu nome.

“Monto um disco como se fosse um livro. As faixas, para mim, são capítulos”, diz Pitty, que se reuniu com a banda e fez os arranjos em duas semanas - Fernando Donasci.

SÃO PAULO - É meio de tarde no estúdio Madeira, do baterista Duda, que fica num pequeno prédio da região central de São Paulo. A cantora Priscilla Leone, mais conhecida como Pitty, fala com animação sobre o show que fez recentemente com sua banda — também chamada Pitty — na cidade de Americana. “Quase morri!”, comentava ela, sobre a sua falta de fôlego. Afinal, são dois anos desde que a baiana encerrou o show “A trupe delirante em turnê” e o seu quarteto, um dos mais bem-sucedidos nomes do rock brasileiro dos anos 2000, entrou em recesso.

Por um ano e meio, ela se dedicou a levar para os palcos o seu projeto mais acústico, de folk psicodélico, o Agridoce (feito com Martin, o guitarrista da banda). Mas bateu, como ela diz, “a demanda interna da saudade”, e Pitty agora volta a ser Pitty com “Setevidas” — primeiro álbum de estúdio desde “Chiaroscuro”, de 2009.

A alegria de ver homens barbados fazendo dança punk, naquele que foi o show da volta da banda, fez a cantora de 36 anos ter certeza de que estava no caminho certo. E ouvir do público que a acompanha desde 2003 (quando lançou seu primeiro disco com a banda atual, “Admirável chip novo”) a frase “cresci com isso e ainda gosto disso” a deixou segura quanto à própria trajetória.

— Com a idade, você vai ficando mais venenoso. É o veneno da paciência, de falar a coisa certa na hora certa. Não era o plano original me dedicar ao Agridoce, fui meio que empurrada do disco para o show. Pude desenvolver um outro lado que nem sabia que tinha — diz.

Encerrado “o ciclo” do Agridoce, Pitty começou a compor. Reuniu os músicos e, em duas semanas, tinha 15 canções arranjadas, sem letra. O que ela escreveu a partir daí fechou-se em um conceito, que ela diz não ter sido intencional.

— Eu monto um disco como se ele fosse um livro — explica. — As faixas, para mim, são capítulos. Vão acontecendo coisas doídas e sofridas ao longo dessa história, transformações. Pessoas sempre caindo e se levantando.

“Setevidas” é um disco que lida com o inevitável, o irremediável. Que expõe “mortes reais e metafóricas”. Duas delas, bem reais, inspiraram a canção “Lado de lá”: as do guitarrista Peu Souza (que tocou com a banda no primeiro disco e que morreu em maio do ano passado) e de Lou Reed (morto em outubro).

Pitty, que se diz avessa a transformar seu diário em canções, encontrou uma irresistível inspiração num texto sobre a morte de Reed escrito pela cantora e poeta Patti Smith para o jornal inglês “The Guardian”.

— Ele me trouxe a imagem do barqueiro, que te leva para o outro lado.

Pitty diz que “Setevidas” é também um disco “de revezes que se transformaram em coisas positivas”. Donde se pode identificar a saída, em 2013, do baixista Joe Gomes, que move processo contra a banda por questões trabalhistas.

— Tive muitos sentimentos ruins, foi traição, mas eu não quero transformar isso em uma coisa negativa, maior do que é. Deixa o cara lá. Ele sabe o que ele fez — minimiza a cantora.

Procurado pela reportagem, Joe preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Em “Setevidas”, Pitty garante que a banda volta “melhor do que nunca”, com Duda, Martin e o novo baixista, Guilherme. Nos shows, eles ainda contam com Paulo Kishimoto, que ataca de teclados, lap steel, vocais e percussões.

A turnê do disco, de fato, começa em agosto. No Rio de Janeiro, os shows serão nos dias 15 e 16, no Circo Voador. As perspectivas de Pitty para 2014 são as melhores.

— Desde o ano passado eu estava sentindo uma preparação para uma volta com força do rock. E este é um ano muito bom para isso. Tem muita gente no Brasil, como os Titãs, lançando discos importantes. Passou aquela coisa meio pasteurizada que rolou por volta de 2010, a infantilização geral do rock. Sinto que existe agora uma conspiração boa do universo.


POR SILVIO ESSINGER, O Globo

O repórter viajou a convite da gravadora Deck



- Postado por: FC Espirito Pitty s 18h13

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Entrevista com "Pé na porta" sobre SETEVIDAS

Clemente Nascimento conversou com a cantora Pitty sobre o novo disco da banda, SETEVIDAS, o novo clipe, descobrir detalhes e conhecer um pouco do que ela tem ouvido e feito. O programado foi gravado no Estúdio Madeira em São Paulo, mesmo espaço onde Pitty gravou seu novo álbum. "SETEVIDAS" foi gravado ao vivo, com todos os instrumentos tocados simultaneamente, produzido por Rafael Ramos e mixado pelo inglês Tim Palmer. 



- Postado por: FC Espirito Pitty s 22h58

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Pitty está de volta


"Místico, intimista e psicodélico, SETEVIDAS marca o retorno da cantora"

Hoje, depois de cinco anos sem lançar CD, Pitty está de volta oficialmente. SETEVIDAS, seu quarto disco de estúdio, marca não só o retorno da cantora – ela passou esse período tocando um projeto paralelo, o Agridoce -, mas uma nova fase na carreira. As canções estão com uma letra mais mística, intimista e uma pegada de rock psicodélico.

As mudanças – bem visíveis nas dez músicas do álbum – não são aleatórias. Nos últimos anos ela enfrentou problemas de saúde, decepções, perda – a morte do ex-guitarrista da banda, Peu Sousa – e superação que a fizeram aprender a ter paciência e “deixar o ego de lado e acreditar que tudo depende de uma força maior que está no universo”, como diz ela.

Por isso, tudo no álbum exala reflexão e misticismo, desde os instrumentos usados (os africanos agogô e caxixi) até o título, que também dá nome ao primeiro single, divulgado há três semanas. Aliás, que acompanhou o site da cantora dias antes do lançamento da canção SETEVIDAS pode sentir um pouco essa vibe.

Por lá ela deixou uma mensagem misteriosa sobre o número sete. “Nasci num dia 7 do ano de 77 sob o signo de Libra – que rege a sétima casa, segundo a astrologia. Os sete dias da semana norteiam e conduzem nossa rotina, os tais sete dias bíblicos da Criação. (…)E logo mais te conto um segredo não mais tão guardado a sete chaves”.

Além do primeiro single, Pitty divulgou nesse tempo outra canção, a “Boca Aberta”. Ela, e todas as outras do disco, foram gravadas ao vivo. “Fazer assim dá mais trabalho, pois precisa estar tudo muito ensaiado e entrosado, caso contrário não rola. Neste tipo de gravação vale o melhor take para todos os instrumentos, então tem isso de todos terem de acertar ao mesmo tempo. Mas eu adoro gravar assim”, contou ela em entrevista ao Gaz +.

Serviço: SETEVIDAS, Deckdisc, 2014. R$ 29,90. Hoje, dia 27, é o lançamento digital (disponível no itunes) e no dia 3 de junho, o disco está nas lojas físicas.

Créditos: Gazeta do Povo



- Postado por: FC Espirito Pitty s 23h06

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Conheça a canção "Lado de lá"

Dor e saudade transbordam da nova música de Pitty, “Lado de Lá”, lançada nesta sexta-feira, 23, a terceira a sair de forma avulsa como parte da divulgação do mais novo disco da roqueira, Sete Vidas. A alusão ao suicídio, abrupto e repentino, foi em parte inspirada na trágica morte do guitarrista Peu Sousa, antigo companheiro de banda, com quem escreveu alguns dos hits do álbum Admirável Chip Novo (2003), como “Equalize” e “Deja Vú”.

“Talvez pudesse resolver (quem vai saber?) / Será que a dor venceu? / Pra quê essa pressa de embarcar / Na jangada que leva pro lado de lá?”, canta Pitty na canção, a mais melancólica entre as três mostradas até então.

À Rolling Stone Brasil, a cantora explicou que a música “é muito por causa de Peu e um tantinho pelo Lou Reed”. Na ocasião da morte do músico norte-americano, em outubro do ano passado, um texto de Patti Smith, antiga companheira dele de andanças por Nova York, publicado no britânico The Guardian, trouxe a inspiração para a metáfora da morte como uma passagem.

“Trouxe-me a imagem do barqueiro da mitologia egípcia que nos leva para o ‘lado de lá’”, concluiu Pitty, citando o ser mitológico Aken, responsável por transportar as almas dos egípcios através do rio da morte. Para ouvir e baixar a música clique aqui.

Créditos: RollingStone



- Postado por: FC Espirito Pitty s 00h57

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Ouça a inédita: Boca Aberta

Na tarde desta sexta-feira (16) mais uma música inédita. Intitulada "Boca Aberta", a canção foi liberada depois de lançarem um desafio para os fãs no site oficial através do Facebook. 

Na semana passada, a banda divulgou o clipe de "SETE VIDAS", faixa que dá titulo ao novo álbum, que já está disponível para pré-venda

Confira a seguir "Boca Aberta":

Download aqui.



- Postado por: FC Espirito Pitty s 00h57

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SETE VIDAS

Desde 2009 sem CD de inéditas, hoje foi lançado o novo single da banda Pitty. A nova música que já tem clipe oficial e carrega o peso do nome do CD chama-se “Sete Vidas”, e você já pode pedir nas rádios. O disco novo tem data de pré-venda marcada e poderá ser adquirido a partir do dia 03 de junho nas lojas, inclusive será lançado em versão digital e vinil.

A banda fará um show no dia 17 deste mês em Americana (SP) e os ingressos estão disponíveis no site do Blueticket. Especulações apontavam que este seria o inicio da turnê Sete Vidas, porém como já vimos o lançamento do CD está previsto apenas para junho, portanto o público poderá matar a saudade e entoar, quem sabe, a música “Sete Vidas”, mas show com as inéditas com previsão para acontecer só começam a partir de agosto.

A agenda já conta com novos shows em agosto onde a banda fará apresentações em São Paulo 09.08 e nas consagradas casas de shows: Circo Voador (RJ) 16.08 (local de gravação do DVD A Trupe Delirante no Circo Voador) e Bar Opinião (RS) 21.08.

Você já pode ouvir e baixar o novo single (download no link abaixo do vídeo) e assistir o clipe oficial a seguir.

Download MP3 aqui.



- Postado por: Espirito Pitty F Clube s 23h05

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Roda Ciranda

No ano em que completou 75 anos de vida, 45 de carreira e viu a sua Escola de Samba, a Vila Isabel, ser a grande campeã do Carnaval carioca, Martinho da Vila é o grande homenageado do novo Sambabook da Musickeria. O projeto é uma superprodução que reúne grandes nomes da nossa música em torno da obra fundamental do compositor e poeta da Vila.


“Eu adoro o Martinho. Ele faz parte do meu imaginário quando penso em samba, penso nas músicas que escutava quando era criança com os meus pais, nas músicas populares que rolavam na época. Ele faz parte disso, do imaginário popular e do meu também. Mesmo que não é do samba, quem não tem tanta intimidade, reconhece o jeito dele de cantar, de pronunciar as palavras e as suas composições. É uma personalidade forte” (PITTY).

Para mais informações acesse o site: sambabook.com.br/martinhodavila

Faça AQUI o download em MP3 da música Roda Ciranda, interpretada por Pitty.



- Postado por: Espirito Pitty F Clube s 16h20

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ENTREVISTA COM A CANTORA PITTY

Há dez anos, ela saiu do underground baiano para estourar em todo o Brasil com a música ”Máscara”, que era diferente de tudo o que estava rolando na mídia e, mesmo assim, tocou incessantemente nas rádios e programas de TV pelo país. Vieram muitos outros sucessos e ela já soma três álbuns de estúdio, dois DVDs ao vivo e documentários, diversas participações em trabalhos de outros artistas, milhões de cópias vendidas, inúmeros prêmios, além de um bem sucedido projeto paralelo.

Pitty, que também dá nome à banda que a projetou, é o apelido de Priscilla Novaes Leone, nascida na cidade de Salvador, no dia 7 de Outubro de 1977. Ela passou pelas bandas Inkoma e Shes e cursou a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia. Com um convite do músico e produtor Rafael Ramos, da gravadora DeckDisc, partiu para o Rio de Janeiro dar vida ao seu disco de estreia, Admirável Chip Novo. O trabalho é referência ao livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, clássico da ficção científica, e foi o álbum de rock mais vendido do país em 2003. Agora, uma década depois, a gente bateu um papo com a cantora, passando sua carreira a limpo.

 

PUNKnet – O Admirável Chip Novo está comemorando 10 anos de lançamento. Olhando lá para trás, na época em que o disco estava sendo produzido, dava para imaginar o sucesso que ele alcançaria?

Pitty - Dava para sonhar, como a gente sonha cada vez que dá um passo na vida em direção ao que deseja- é aquele bom e velho “agora vai”  - mas certeza a gente nunca tem de nada. Foi tudo aposta, risco, sorte, muito suor, planejamento e intuição; tudo junto.

PUNKnet – Para celebrar, o álbum ganhou uma versão em vinil. Seus outros discos também já tiveram tiragens nesse formato e, ultimamente, muitos artistas tem lançado trabalhos assim. Rola uma boa aceitação do público mais como objeto de coleção ou as pessoas estão se rendendo novamente a ouvir músicas em vitrolas?

Pitty - Já vi as duas coisas, mas o que surpreendeu mesmo nessa retomada do vinil foi a vontade genuína das pessoas de terem uma experiência mais profunda com o disco, com a música. Como se muita gente quisesse se reaproximar de uma vivência mais física. Essa demanda mexeu com tudo, tanto é que vitrolas voltaram a ser fabricadas e vendidas, modelos novos, não apenas os vintage de lojas de antiguidade. A aceitação de vinil tem crescido cada vez mais, e eu acho que isso tem a ver com alimentar essa ideia: passar informação, fazer feira de vinil, um trabalho constante de reconstrução e fortalecimento dessa estética.

PUNKnet – Quando pequena, que tipo de vinis costumava ter em casa? Algum desses em especial te influenciou a também querer ter uma banda?

Pitty - Todo tipo. E era só vinil mesmo, não existia CD nessa época e fita K7 bombou mais na minha adolescência mesmo. De criança eu tinha uns disquinhos de história, uns coloridos, e o meu predileto que guardo até hoje: Os Saltimbancos. Depois, um pouco mais velha, eu acabava fuçando nas coisas dos meus pais, e aí tinha Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gil e muito Elis Regina. Tinha um compacto de Celly Campelo que eu amava, no lado A “Estúpido Cupido”, do outro “Túnel do Amor”. Eu adorava o “disquinho da maçã”, era Imagine, com John Lennon. Tinha bastante Rita Lee também e acho que no fundo tudo isso fica no subconsciente da gente e vai se desenrolando em outras coisas ao longo da vida.

PUNKnet – Suas primeiras experiências em bandas foram com a Shes, como baterista, e a Inkoma. Como foi essa época e o que de mais importante você agregou de cada uma delas?

Pitty - Primeiro veio o Inkoma, foi a primeira banda de ralar mesmo, botar a mão na massa. Fazer fita demo, recortar e dobrar cada capinha a mão, fazer xerox de cartaz dos shows e colar nos muros, produzir os próprios shows, carregar equipamentos, fazer umas camisetas e vender na banquinha, essas coisas. A escola toda, o aprendizado todo. Era um contexto de sobrevivência e de muito amor ao som; todos nós tínhamos empregos para pagar as contas e tentávamos priorizar a banda do jeito que dava, nas brechas da vida. Durante o Inkoma rolou de conhecer as meninas da Shes e fiquei com as duas bandas ao mesmo tempo. Com a Shes eu tive a oportunidade de encontro com o feminino, que era um lado pouco desenvolvido por eu ser sempre uma garota no meio dos caras. Havia a convivência com as meninas, o “se arrumar” juntas para os shows, todas as particularidades de sermos garotas. Mas nas duas bandas tinha a mesma coisa:  era tudo de garagem, na raça, na vontade de fazer um som. Esse é o melhor aprendizado que eu podia ter tido, desenvolveu minha autonomia, responsabilidade e independência; fez com que eu aprendesse a correr atrás e desse o devido valor às coisas.

PUNKnet –  Há anos você é questionada sobre como é ser uma cantora de rock que veio da Bahia, devido ao estereotipo de que todo baiano ouve axé. De tudo o que você vivenciou na cena musical de Salvador, que aspectos foram determinantes para a sua construção artística e que você não teria vivenciado em outro lugar?

Pitty - Difícil saber ao certo, porque só sei o que é ter estado nesse lugar e não em outros; então é tudo teoria, rs. O que eu sei é que existia esse sentimento de remar contra a maré, de resistência, de luta. Não é que nada era fácil, é que era praticamente impossível. Cada centímetro que a cena conquistava era comemorado, seja por uma matéria em um jornal da cidade, por um festival de rock ter acontecido ou por uma coletânea ter vingado. E a galera lá continua fazendo isso até hoje. Então eu aprendi que esse é o caminho das coisas, batalhando e sendo verdadeiro com sua arte e seu som. Ter banda de rock no Nordeste é um negócio muito “true”, porque não tem promessa de glamour, fama e dinheiro. Tem que ter amor. Lá não cola fazer um cabelinho bonitinho, botar uma roupinha style e dizer que é rock, a galera não engole essa. Digo isso por ter sido público também a minha vida inteira lá, e a sensação era essa. É isso que sei dos meus amigos, das pessoas que frequentavam shows comigo. Era o underground do underground, e isso é bom porque você não deve nada a ninguém, seu único compromisso é o amor pelo som que faz.

PUNKnet – Seu relacionamento com o Rafael Ramos e a Deckdisc em geral é bem tranquilo em relação a manter a identidade da banda com liberdade de criação, além disso, você não faz coisas como playback na TV ou determinadas alterações nas músicas para tocar nas rádios. Sempre rolou essa preocupação de ter uma postura bem definida quanto a isso?

Pitty - Sempre foi uma coisa natural, de fazer o que se sente bem, de não fazer nada que te faça se sentir deslocado, mentiroso. Nunca foi uma coisa de birra, ou de querer ofender ninguém. É simplesmente uma postura para defender a arte e a música, para tentar manter isso o mais puro possível. É muito, muito difícil. Talvez seja uma utopia. Muitas vezes eu não consegui. Outras sim, às vezes no diálogo, às vezes às custas de me indispor com pessoas – uma pena, mas faz parte da batalha. Tem que estar disposto a dizer “não” em um mundo onde todo mundo está dizendo “sim” a qualquer custo; e arcar com as consequências disso.

PUNKnet –  “Me Adora” tem uma letra forte e direta sobre a mídia. Acho que desde o começo você sempre sofreu com a imprensa em relação à comparações mal colocadas ou críticas baseadas em senso comum. Recentemente, você também se queixou do fato de transformarem em manchete polêmica algo que você estava apenas comentando no Twitter. Como é ter que lidar com esse tipo de situação?

Pitty - É uma merda, mas faz parte da parada. Vou tentando eliminar esses equívocos ao longo do caminho e ficar só com as coisas legais, tentando deixar tudo claro e exercer os valores em que acredito a cada disco, a cada obra. Tem coisas que simplesmente são e você acaba fazendo parte delas por força da circunstância, mas sem se deixar transformar naquilo.

PUNKnet – Suas letras são bastante pessoais, em que aspectos ou temáticas você acredita que suas composições tenham mudado ao longo dos anos? Tem músicas do começo da carreira que hoje em dia você não se identifique mais?

Pitty - Alguns temas são recorrentes e acho que são questões que se mói e remói uma vida inteira- todas essas coisas mais existencialistas. Nesse caso o que muda é o jeito de abordar o assunto, o ponto de vista, o vocabulário, o foco da questão; tudo isso se aprofunda com a idade. A vivência parece trazer essa sagacidade e observação menos rasa.  Acho que é por isso que em relação às músicas do começo, embora eu ainda me identifique profundamente com os temas, algumas frases e abordagens não fazem mais tanto sentido pra mim.

PUNKnet – Segue alguma rotina para compor ou nunca tem hora/lugar?

Pitty - Não tem método nem rotina, vou do jeito que rola. E respeito muito os lampejos do inconsciente, então anoto tudo; fragmentos de ideias, frases, palavras que me cutucam na madrugada. Um dia junto os retalhos e pode ser que vire uma música.

PUNKnet – Você também tem bastante influência da literatura do cinema. Quais artistas e obras mais te inspiram?

Pitty - Os existencialistas, os beatniks, os byronistas… tanto no cinema quanto na literatura. O surrealismo e a psicodelia também têm tido um espaço bom na minha vida nos últimos tempos.

PUNKnet –  Admirável Chip Novo, Anacrônico e Chianoscuro. De um modo geral, quanto às músicas e ao momento da banda em cada época, o que merece ser destacado de cada um desses trabalhos de estúdio?

Pitty - No Chip Novo acho que a garra, o chutar a porta e passar por ela sem pedir licença, a energia juvenil. No Anacrônico o peso mais consciente, a pesquisa de sonoridade, a segurança de quem sabe um pouco mais o que quer.  E, no Chiaroscuro, o aprofundamento dessa pesquisa sonora, o aprimoramento dos timbres, a subversão pelas regras de gravação, a conquista da elegância. Tipo aquele olho calmo do cachorro mais perigoso que nem ladra, só morde.

PUNKnet – Você ousou ao deixar um pouco de lado a banda para investir no projeto paralelo Agridoce, com uma proposta e um estilo de som bem diferentes do que os fãs estavam acostumados. Apesar de ter sido algo descompromissado, rolou alguma insegurança no começo?

Pitty - Não no sentido da demanda externa, e sim de mim comigo mesma. Um desafio interno, um “será que eu vou conseguir tocar piano e cantar ao mesmo tempo, nunca fiz isso”, essas coisas. No final acabei fazendo mais do que achava que podia fazer, em termos técnicos mesmo, foi indo aos poucos, mas consegui tocar piano, cantar, operar pedal de delay, tudo ao mesmo tempo, rsrs.

PUNKnet –  Agora, com a turnê finalizada, que balanço você faz quanto aos shows, público e repercussão que tudo isso teve?

Pitty - Foi maravilhoso ter passado por isso, foi realmente uma parada que mudou tudo e mexeu profundamente comigo. Um aprendizado enorme, de eu com os outros, com o público, com os novos instrumentos e, principalmente, comigo mesma. Foi uma viagem.

PUNKnet – Com a banda voltando às atividades, o que podemos esperar do novo disco da Pitty?

Pitty - Não sei, só vou descobrir quando começar a fazer. Mas eu sei que estou com saudade de barulho, distorção e podreira, rs.

PUNKnet – Um retorno do Agridoce só deve acontecer em nova pausa do grupo ou você e o Martin pensam em conciliar as duas coisas?

Pitty - Talvez a gente consiga conciliar, nada é descartado. A gente deve dar essa parada mais na hora de gravar meu disco novo mesmo, e agora para compor, escrever. Mas a ideia é fazer uns shows do Agridoce quando der.

PUNKnet –  Levando em conta esses 10 anos desde o lançamento do primeiro álbum, teria feito alguma coisa diferente?

Pitty - Acho que não. Essas perguntas não fazem muito sentido para uma pessoa fatalista como eu, rsrs. As coisas foram o que foram porque a gente era assim, e era aquilo que podíamos e sabíamos fazer naquele momento.

PUNKnet –  Tem alguma banda dessa nova safra do rock que você costuma ouvir e recomenda para a galera?

Pitty - Tame Impala. Nem é tão nova assim, mas enfim. E Savages, que Rafa me mostrou e é massa.

PUNKnet – Obrigada! O espaço é seu, deixe um recado aos fãs que leram a entrevista.

Pitty - Valeu, um beijo grande a todos e nos vemos por aí nos rocks da vida.

PUNKNET



- Postado por: Espirito Pitty F Clube s 15h49

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